sexta-feira, 27 de julho de 2012

Fantasmas Interiores


Existem pessoas que passam a vida tentado viver, mas não conseguem, pois ficam amarradas em seus medos e receios, com laços criados por elas mesmas.

Usam as vezes um desafogo, algumas encontram isso em baladas, outras em bebidas ou drogas, outra se isolam procurando viver dentro de sí mesmas com medo de sair e enfrentar seus medos.

O medo por um lado é uma coisa boa, muitas vezes nos livram de problemas ou de armadilhas, por outro lado, quando deixamos que nossos medos controlem nossa vida, nossa mente e nosso comportamento, ele passa a ser não um protetor, mas um carrasco e quanto mais cedermos ao medo mais ficamos presos e vemos a vida passar diante de nossos olhos como uma criança que para em frente a vitrine admirando um brinquedo que queria muito ter.

Não é fácil enfrentar nossos medos, sou prova disso de quanto é difícil e o quanto sofremos, é como se estivéssemos arrancando algo enraizado de dentro de nossa alma. Trememos só de imaginar ir pra fora de nosso mundo protegido e aos nossos olhos seguros onde nos sentimos protegidos, chega a doer só de imaginar.

Dizer como sair e enfrentar o medo é algo que até hoje me arrepia pois é doloroso, da uma angustia, um frio, podendo até chegar a um pavor. Não sei como dizer, é como se em uma noite fria e sem a luz da lua entrássemos em uma floresta sombria sem a chance de poder voltar, porque quando olhamos para trás só vemos aquela angústia que nos forçou a sair de lá, poderíamos ficar e sofrer a angústia achando que estamos bem, felizes e seguro, mas é uma mascara que colocamos para mentir para nós mesmo, porque só aceitávamos estar lá porque temos medo de sair. Ao entrar na floresta sombria imaginamos diversos perigos e armadilhas, monstros e pessoas que veem com beijos e abraços apenas esperando a chance de nos atacar pelas costas.

Esses são nossos medos, medo de pessoas que um dia sofreu quando confiou em alguém, quando entregou seu coração e sua amizade para uma pessoa que pensávamos que faria o mesmo por nós, medo de encontrar alguém que só quer ver o circo pegar fogo e se regozijar com a queda e o choro de alguém.
Tudo isso esta nesta floresta sombria, mas é o único caminho que existe até o outro lado dela que é onde realmente estaremos bem, felizes conosco mesmo e se sentindo fortes. Ao olharmos para trás vemos a nós mesmos enfrentando tantas coisas, tantos perigos que outrora jamais sonhávamos em enfrentar, vemos que somos mais capazes do que um dia pensávamos que fosse e sentimos orgulho de nós mesmo, neste momento sentimos o que realmente é felicidade e o que é satisfação e prazer próprio.

Da medo, gela nossos ossos e trememos quando enfrentamos nossos medos mais profundos, aqueles que nos assombram e nos fazem fraquejar, mas quando chegarmos no final de nossa jornada descobrimos que desde o começo estamos lutando com nós mesmo, com os medos que deixamos entrar e se alojar de nossa alma e endurecer nosso coração.

Assim como Verônica Shoffstall em um de seus mais belos, fortes e emocionantes textos disse em O Menestrel:

"E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."

Não é fácil, sei muito bem disso, mas só viveremos em nossa plenitude quando enfrentarmos nossos mais sombrios e profundos medo.

Confiar não é errado, errado é trair a confiança que nos foi dada.

Paulo Cuba.